Como fazer um bom oleato
Um oleato é um óleo que extraiu os princípios ativos das plantas através de um processo de maceração. Durante um determinado período de tempo, as plantas maceram num óleo vegetal e vão transferindo os seus princípios ativos para esse óleo, obtendo assim extratos vegetais com grandes propriedades para a elaboração de remédios para a saúde e produtos cosméticos de alta qualidade e eficácia.
Na MATARRANIA estes extratos são obtidos de forma artesanal, seguindo a tradição mediterrânica no uso das plantas medicinais: maceração de planta fresca em azeite virgem extra, durante um ciclo, ao sol e ao sereno (já veremos mais adiante como é este método). Este processo faz parte do sucesso e da eficácia da nossa cosmética, já que os princípios ativos das plantas são obtidos da forma mais pura e eficaz para exercerem as suas funções sobre a pele.
Para fazer o oleato precisamos de um óleo vegetal base, plantas recém-colhidas, frascos de vidro ou de aço inoxidável limpos e amplos e um local onde deixar as misturas durante o processo de maceração. Podemos selecionar qualquer óleo vegetal, desde que seja virgem e, de preferência, biológico. Os mais utilizados são o de oliva, girassol ou amêndoas, mas tradicionalmente só se usou o azeite de oliva, por isso, sendo fiéis à tradição mediterrânica de centenas de anos no aproveitamento das plantas para o cuidado da saúde, na nossa cosmética biológica usamos para as macerações apenas azeite de oliva virgem extra biológico, que acrescenta grandes propriedades aos benefícios já proporcionados pelos extratos de plantas: é hidratante, protetor, tonificante e antioxidante. E não é um azeite de oliva virgem extra biológico qualquer, além disso, é um azeite que foi colhido quando as azeitonas ainda estão pouco maduras, pelo que apresenta níveis extraordinariamente altos de polifenóis, os antioxidantes naturais de que a nossa pele precisa para se manter protegida dos radicais livres que a envelhecem.
O nosso processo de elaboração é o seguinte:
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Colher a planta à mão, com tesouras de poda e cesto. Fazemo-lo nas mais de 200 hectares de campo e monte que temos certificados biológicos, colhendo nós próprios as plantas de que precisamos para as nossas formulações.
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Deixar repousar as plantas durante 24 horas sobre tabuleiros para que percam humidade e para que os bichinhos que possam trazer vão à procura de outra casa. É preciso pensar também neles!
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Fazer a mistura, incorporando numa cuba de aço inoxidável o peso exato da planta e enchendo depois com o volume determinado de azeite de oliva virgem extra. Os recipientes que utilizarmos devem estar bem limpos e totalmente secos, já que a presença de água pode afetar a conservação posterior.
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Colocar a maceração ou oleato num ambiente adequado, evitando a luz direta. No nosso caso temos uma casinha de madeira onde pomos em prática o método “sol e serena”: a mudança de temperatura e de luz do dia para a noite ajuda as plantas a diluir os seus princípios ativos no azeite de oliva. Aí permanece durante um ciclo de 21 dias, exceto o hipericão, que são 40 dias.
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Após passarem os 21 dias (ou os correspondentes ao ciclo), filtrar o oleato com um coador e uma gaze de algodão, eliminando qualquer resto de erva. Para o armazenar, utilizamos depósitos de aço inoxidável e mantemo-los num espaço fresco e seco do nosso laboratório.

Este oleato já contém todas as propriedades das plantas que foram maceradas e que irão aportar os seus princípios ativos nas formulações em que for utilizado. São os verdadeiros protagonistas das nossas formulações, aquilo que nos diferencia como marca totalmente natural e artesanal.
As nossas macerações contêm uma percentagem elevada de planta, com o objetivo de garantir o máximo de princípios ativos: 10%. Isto significa que, por cada 100 g de óleo, utilizamos 10 g de planta fresca, e realmente não cabe mais planta no recipiente com o óleo. As plantas pesam muito pouco, mas têm muito volume quando estão frescas.
O oleato, enquanto tal, não aparece como ingrediente conjunto nos nossos INCI (listagem de ingredientes). Por norma, como explicámos no nosso blog há algum tempo, figura por um lado o azeite de oliva e por outro o extrato da planta. E, como os ingredientes devem aparecer ordenados de maior para menor quantidade utilizada, o extrato da planta que representa 10% do oleato costuma ficar a meio da lista INCI. Mas esse azeite de oliva, que geralmente aparece entre os primeiros ingredientes, já contém todas as propriedades e princípios ativos da planta macerada, que são os que garantem a eficácia na aplicação do produto cosmético.






